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quinta-feira, janeiro 29, 2004

Numa bela manhă de inverno, igual a tantas outras, Justino dirigia-se para a escola debaixo de um pesado manto de nevoeiro que envolvia todo o caminho. Naquele dia porém, as suas entranhas combatiam entre si, provocando no nosso jovem uma indisposiçăo digna de um verdadeiro dia de baixa, mas Albertina havia enviado, sob pancada, o pobre mártir convencida de que era mais uma das suas muitas fitas... pobre rapaz!...
Efectivamente, pequenos arrotos escalavam o seu tenro esófago e saindo pela boca, formavam em confronto com a alva neblina, pequenas nuvens de tom esmeralda que deixava para trás ao caminhar, como se quisesse marcar o regresso naquele mar de invisibilidade.
Justino avançava convencido de que a culpa era do vinho já coalhado com que sua măe havia preparado o pequeno, ínfimo aliás, almoço. “Aquilo năo me soube bem, porra!”- pensava das sopas de cavalo cansado enquanto era vítima de mais uma afloraçăo gasosa.
Já na instituiçăo de aprendizagem (vulgo escola), passou toda a manhă a tentar evitar a libertaçăo oral dos gazes, pois sabia, que caso o fizesse, sua professora encararia tal acto como mais uma façanha da criança impertinente ( que vá-se lá saber porquê era a ídeia que a prof. Isilda tinha de Justino) e o castigasse vivamente.
Quando a dona Cremilde deu o seu grito megafónico para o tăo esperado recreio, Justino dirigia-se para o pátio quando o seu caminho foi interceptado pelos gorilas Marcelino e Mariano que se dirigiram a ele a fim de cumprir o ritual de pancadaria com que, pelo menos uma vez por dia, o contemplavam. Agarrou-se à barriga levado por uma forte pontada que o medo amplificara à visăo dos dois cíclopes.
- “Olha Mariano! Ainda nă le arreamos e já está agarrado á barriga” – disse Marcelino rindo.
A partir dali tudo se passou rapidamente (como habitual), os dois rufias trocaram um rápido olhar como quem define estratégia, ao que Marcelino respondeu agarrando Justino pelos braços expondo todo o seu ventre, Mariano ao vê-lo em posiçăo armou o seu braço espancador e desferiu um poderoso disparo no alto ventre do nosso pobre amigo. Em resposta a tăo vil acto, as entranhas de Justino contorcem-se uma vez mais e numa câimbra dolorosa sobe para o frio do inverno um estrondoso arroto que faz estremecer todas as fundaçőes da escola e deixa toda a gente atónita. Até a professora Isilda que se encontrava na retrete defecando descansadamente olhou a toda a volta esgueirando uma expressăo de espanto.
- “Abençoada tripa” – disse espantada.
Lá fora uma nuvem verde formou-se a partir da boca do nosso amigo e alastrou-se até envolver toda a estrutura imiscuída no plúmbeo nevoeiro. Pouco a pouco, todos que se encontram no pátio foram afectados pelo alastrar da nuvem esmeralda, e para grande espanto do nosso herói, em vez de esgueirarem caretas repugnantes, rasgaram sorrisos e iniciaram sessőes de abraços que espantaram ainda mais Justino. Até os MMBestas (era o nome que secretamente Justino e Quim Manel chamavam a Marcelino e Mariano) se misturaram na turba de abraços para seu grande espanto.
Contudo, apenas dona Cremilde năo havia sido afectada pelo poderoso arroto e olhava para ele com a boca escancarada, mostrando claramente o seu dente solitário que embora desgastado de ambos os lados pelos anos de cárie, permanecia naquela boca como um hino à preserverança. Pouco depois levou uma das măos à boca, e com a outra apontou a Justino e balbuciou com ar de espanto:
- “Santíssimo sacramento, măe do céu” – dizia enquanto se benzia – nossa senhora rogai por nós,... tu!.... Tu!... És... o... eeesssccoollhhiiddoo!!!
Justino năo teve tempo de reagir, pois nesse momento soou um estrondoso trovăo e uma pesada chuva desabou sobre a escola. Todos correram para as salas de aula, e no seu âmago, ainda espantado com tudo aquilo, pensava se também aquela trovoada teria sido obra sua. Dona Cremilde permaneceu uma hora à chuva com ar catatônico, e à custa disso uma semana de baixa, pelo que Justino se viu impossibilitado de lhe falar e de lhe perguntar sobre tudo aquilo.

quarta-feira, janeiro 28, 2004

Os malvados!!!


Justino encontrava-se junto do portăo da escola com o seu companheiro Quim Manel. Justino nutria por este seu colega, um grande sentimento de amizade. Amizade essa que ele próprio năo vi lá grandes motivos para existir.
Estavam a entrar para a escola, quando viram a professora Isilda a sorrir para todos os que lhe apareciam pela frente. Verdade seja dita que năo era lá muita gente. Parecia ela que iria transmitir o seu antalógico conhecimento a uma grande turma. E essa turma estaria faminta pela informaçăo e cultura debitada por tal portento do ensino. O que năo era obviamente o caso, desta micro-turma da escola primária da Aldeia algures perdida entre montes e vales... Era mais um dia em que este rapaz ia tentar adquirir conhecimentos, que o leveria a ser alguém nesta vida. Alzira Acácia, que se encontrava prostrada na ombreira da porta da sala de aula, sorria ... Era uma visăo que aterrorizava qualquer um. Justino tremia sempre, e năo era capaz de suster o pantufinhas matinal. Quim Manel era testemunha desse terror, a sua cara sapuda ficava ainda mais amarelada devido à constataçăo de tal aroma. Alzira, era levada pelo seu pai à escola todo o santo dia. Chegava a ficar com a marca da măo de seu pai na cara. Uma mancha de sangue, de porco ou vaca, em forma de măo reluzia na face gutoral da menina. Justino sentia que um dia ainda iria desfalecer só devido a tal provaçăo.
A primeira parte da aula era sempre a mais calma, o sono era uma boa fonte de ordem para pessoas de tăo tenra idade. Também a ausência dos manos Marcelino e Marciano promovia uma paz ansiosa. Eles chegavam sempre atrasados, uma boa meia hora. Eram a antítese do vinho do Porto, este quanto mais velho melhor fica a sua degustaçăo, estes dois quanto mais velhos mais visivelmente ficavam embebidos em estupidez e burrice. Justino odiava-os com toda a sua pouca e débil força física. Mas o vislumbre de Ivete Soraia a poucos metros mantinha as tripas de Justino em alvoroço, e assim ele era capaz de esquecer por alguns instantes o seu ódio medroso pelos manos.
Nesse dia Américo fora chamado ao quadro! A matéria em questăo era Geografia, no quadro estava pendurado um mapa de Portugal Continental e Ilhas. A professora Isilda perguntara a Américo onde ficava a bela cidade do Porto, e se fizesse favor lhe indicasse a mesma no mapa. Pobre rapaz este quando o assunto era a nossa Geografia, pois ele tinha vivido até à pouco tempo em terras de Tio Sam, e de Portugal conhecia praticamente nada. O seu olhar ia de encontro ao mapa e nele só via o seu reflexo a tremer. Começou a indicar com algum receio um lugar algures nas terras dos Algarves. Os dois seres mais ignóbeis na sala de aula, começaram numa risada como se năo houvesse amanhă!
- Meninos Marcelino e Marciano, silęncio!- ordenou a professora Isilda.
Américo só queria voltar para o seu lugar e ficar lá escondido. A professora lá lhe indicou a possiçăo geográfica da cidade do Porto, e pediu que ele estudasse Geografia em casa.
Quando chegou a hora do intervelo já Justino tremia na cadeira onde estava sentado. Olhou pela janela para o recreio, que era um pequeno largo cheio de poças e lama, e já lá estavam os irmăos a sorrirem para ele! Riam mostrando os dentes que năo tinham. Nesse dia năo foi muito mau, só o penduraram de cabeça para baixo. Cada um deles segurou uma perna do nosso herói com a penas uma măo, enquanto que com a outra davam fortes murraças no lombo escanzelado de Justino. Quim Manel, que era um valente, correu em auxílio de seu amigo. Primeiro levou só um abanăo, mas na segunda tentativa voou depois da pancada que levou na cabeça. Aterrou na poça de lama mais imunda! Quando ergueu a carinha, ainda era mais semelhante a um sapo!
A segunda parte da aula foi um tormento para Justino, mal conseguia respirar! Quim Manel, que continuava a sorrir embora a lama nos seus dentes lhe conferisse um ar alienígena, tinha confessado à professora que tropeçara e se estatelara na lama enquanto jogava à bola.
Esse dia de aulas acabou com o Justino e Quim Manel a correrem em direcçăo das suas progenitoras. Ambas iam sempre buscar os rapazes à escola. Maria Albertina e D. Miquelina perguntaram em uníssono o que se passara. Eles trocaram um breve olhar e responderam como dois homens de coraçăo severo e altivo:
- Năo foi nada minha măe! Apenas mais um dia de escola!...

segunda-feira, janeiro 19, 2004

Mais uma manhã em que Justino lutava contra o seu sono. Para ele era uma guerra ter de se levantar todo o santo dia.
Maria Albertina já o chamava fazia 14 minutos. Ela tinha o bom hábito de cantarolar:
" Bom dia me filhe
Mê amor más linde
Que o frio te faça rije
E que a vida te vá inde

De manhã é dia,
à note é note,
Lebanta-te mê rufia
Se nã, comes um açote

A escola espera-te
Para seres dotore
Vamos lá lebanta-te
Se nă, vás ter dor... "

Logo os olhinhos de Justino brilharam ao ver o rosto rude de sua măe!
Nada o acordava melhor do que mergulhar a face na bacia de louça, cuja a água era gelada. " Brrrr... " era sempre o seu primeiro som do dia.
Era um martírio ter de se levantar para mais um dia de aulas, onde iria sofrer muito. Só a companhia de Quim Manel o animava. E a esperança ténue de ver a Ivete Soraia lhe retribuir um sorriso...

A sala de aulas!


Deu o toque, as m?es largaram as suas crias! A porta da sala abriu... uma luz fusca fugia de lá dentro procurando iluminar os seus novos conquistadores. O primeiro vislumbre que Justino teve foi a aura de uma senhora... A professora Isilda tinha na sua cara um sorriso largo e bastante simpático!
" Meus meninos sentem-se nas mesas consoante a ordem que eu vos chamar."
Justino n?o se mexeu, os seus pés pareciam duas enormes pedras. O suor corria-lhe pelas t?mporas, estava quase a soltar um dos seus horrendos gritos! Quando um rapaz loiro, de olhos azuis, com uma cara que lembrava um sapo, questionou. " És da primeira classe? Somos os únicos de pé! " Justino olhou-o e tentou sorrir. Entâo olhou para o quadro negro que parecia um fosso que o puxava... Lá estavam escritos os nomes de todos os alunos e os seus lugares, que para ele n?o passavam de meros gatafunhos. A professora Isilda começou a chamá-los pela ordem inversa ? descrita no quadro, dos mais velhos para os tenros.

1? Classe
Justino
Quim Manel

2? Classe
Alzira Acácia
Américo
Tonho

3? Classe
Ivete Soraia
Tertuliano

4? Classe
Marcelino
Marciano


Quim Manel parecia estar a gostar desta nova experięncia na sua curta vida. Ele tinha 6 anos e tal como o nosso herói acabara de entrar para a 1? Classe. Estavam ambos sentados numa mesa que parecia gigante, pois ostentava seis lugares e só dois estavam ocupados, e logo por dois rapaz?es que mais pareciam fraguinhos da Guia. Na mesa da 2? Classe estavam 3 alunos, a Alzira Acácia de 7 anos filha do talhante da aldeia, e cuja cara lembrava uma máscara de carnaval de t?o feia que era. O segundo era o Américo de 9 anos, filho de pais emigrantes nos Estados Unidos da América. Ele ainda n?o dominava bem a língua de Luís Vaz de Camőes, raz?o pela qual o levou a n?o proferir uma única palavra nesse dia. Tonho estava entre ambos tinha 8 anos e tinha uma cara risonha. Parecia bom rapaz.
Na terceira mesa estavam Ivete Soraia e Tertuliano. Ela tinha 9 anos, e Justino mal a viu sentiu uma naúsea t?o forte e aguda, que o fez logo pensar que ela ia ser a mulher da sua vida. O Tertuliano de 8 anos tinha cara de cromo, os óculos e os dentes que mal cabiam na boca, denunciavam a força que o seu braço direito tinha para se elevar sempre que eram postas questőes pela Professora Isilda.
Na última mesa estavam os manos Marcelino e Marciano. De 14 e 13 anos respectivamente, Mostravam pela sua express?o facial o vácuo que habitava dentro daqueles cranios. Justino sentiu logo que dali iriam vir muitos problemas. Viu e cheirou a ruindade que emanava daquele par de jarras...

sexta-feira, janeiro 16, 2004

“Ode a Justino”

Esse teu olhar incerto
neste mundo a brilhar
és especial em concreto
iluminas mar, terra e ar.

Meu querido tăo tenro és
diferente dos demais
mesmo com esses pés
és o orgulho dos teus pais!

Ele é mesmo especial,
é ser de outro mundo,
é melhor que o normal,
é capaz de alcançar o fundo!!

Caminhas nessas estradas…
Tratando do teu gado
fazes das cabras escravas,
é trabalho do teu agrado.

Pessoa com históri’ anormal,
encarnou nos nossos tempos
um génio quase animal,
de bradar aos sete ventos!

Ele é mesmo especial,
é ser de outro mundo,
é melhor que o normal,
é capaz de alcançar o fundo!!

Portador de grandes mistérios,
capaz de se ocultar em qualquer retrato,
e hipnotizar em casos sérios,
soltando gases em qualquer acto!

Ele é mesmo especial,
é ser de outro mundo,
é melhor que o normal,
é capaz de alcançar o fundo!!



Letra por:
Leite e Suth_Beren

domingo, dezembro 21, 2003

Justino sempre dormira numa pequena caminha de madeira ao lado da, năo muito maior, cama de ferro dos pais. Contudo, com o passar dos tempos e com Justino a crescer a olhos vistos de dia para dia, a situaçăo tornara-se insuportável e Justino foi obrigado a ir dormir para o curral.
As luas sucediam-se umas atrás das outras e Justino mudava de dia para dia. As pessoas comentavam que era de dormir com as cabras, diziam que os gases formados pelos dejectos e afins que os pobres animais expeliam das suas entranhas deviam de ter tornado Justino, o rapaz outrora franzino e com ar pálido e adoentado, num menino de 6 anos ainda mais franzino mas, agora, de aspecto mais rosadinho.
A vida que Justino conhecia até então estava prestes a sofrer uma mudança, uma grande mudança...
6h da manhã do 15º dia do mês de Setembro da era mil nove oitenta e sete, naquela Aldeia Atrás de Montes e Vales. Justino fora acordado por sua mãe. Não tinha dormido bem, mal tinha pregado olho nessa noite. Justino andava tão alterado dos nervos que, na noite anterior, quase não tocou no arroz de grelos com toucinho que Maria Albertina, sua mãe, lhe preparara com tanto afecto e carinho. Sentia algo estranho na barriga. O seu estômago contorcia-se contra sua vontade, parecia que ganhara vida própria. Justino estava nervoso... Era o seu primeiro dia de escola!
De mão dada com a mãe, Justino descia, com os joelhos a bater um no outro devido à sua extrema magreza, o caminho que ia dar à escola. A pobre criança estava apavorada. Até ao dia, a única escola que este pequeno ser frequentara fora a escola da vida. O frio na barriga ia aumentando à medida que se aproximavam da escola. Começava a ouvir-se ao longe o chimfrim das crianças que se encontravam no pátio da pequena escola depois das férias grandes.
Chegara. Apoiada no portão enferrujado da escola estava uma figura de constituição sapuda, Dona Cremilde, era essa a sua graça. Dona cremilde era a A. A. E. (Auxiliar de Acção Educativa), tipo, Contínua. Era uma pessoa muito simpática, sempre disposta a ajudar e acarinhar os 3 ou 7 ou 4 ou 9 alunos da escola. Com os seus 73 anos cheios de vida (e um bigode que metia respeito!!) era como que uma avó para aqueles crianças.
Justino depressa se sentiu reconfortado quando viu aquela senhora tão afável. Maria Albertina deu um beijo na face esquerda do seu tão amado rebento e ele,Justino, entrou na escola pela mão de Dona Cremilde, a Auxiliar de Acção Educativa.E, a vivida contínua acompanhou Justino ao local onde se encontravam os 3 ou 7 ou 4 ou 9 alunos da, a partir desse dia, sua escola.

quinta-feira, dezembro 18, 2003

Esta família era muito feliz... este filho mantinha o casal tăo unido, que não conseguiam viver muito tempo separados.
Justino era uma criança linda... mas de uma maneira muito peculiar.
As fotografias de família eram sempre um enigma, pois Justino aparecia sempre em forma de núvem. Se estava ladeado pelos seus pais, a fotografia mostrava a imagem de Zé Bigodes e Maria Albertina a amparar uma núvem. Nunca uma núvem pálida ou pouco densa, mas sim uma núvem de céu invernoso.
Uma vez o casal babado, tiro uma fotografia ao seu rebento a fazer uma birra. Nesse retrato não só era vista uma núvem negra no meio das maçarocas ( que eram o brinquedo favorito de Justino) mas também um grande conjunto de trovões que saíam da mesma. Pânico seria o sentimento esperado, mas tanto Zé como Maria ficavam deliciados perante estranho acontecimento.
"- Zé!!! Nosso filhe é memo ispícial!!!
- Podes crêr minha bolaxinha gôda..."
Justino era o elemento que complementava aquela harmonia.

Certo dia Justino que estava sentado no chão, no meio de uma mão cheia de maçarocas ressequidas, soltou um TRAC!!! Mas não uma qualquer bufinha, mas sim um real peido que chegou a atordoara o " Bolitas" ( o leitão de estimação de Justino ). Maria Albertina que estava a confeccionar o jantar para a familia, deu um salto e deparou logo com o aroma primaveril que lhe chegou às narinas. Mesmo sentado no chão o alcance de tal ataque de Justino, atingia o alvo a qualquer altitude, profundidade, latitude e posição geográfica.
Sabe-se que o gás que o ser humano liberta, devido ao ciclo completo dos alimentos no aparelho digestivo, tem uma temperatura superior à do meio ambiente ( salvo raras excepções ). Por isso esse gás eleva-se na atmosfera. Mas Justino quando atacava, libertava um raid de gás que se deslocava em todas e quaisquer direcções.
Maria Albertina que demonstrava sempre um largo sorriso. Aquando do ataque do filho, olhou para ele e enviou-lhe um beijo. Justino que estava a retirar um gigantesco burrié, e moldando-o numa esfera perfeita, olhou para a sua mãe, e esboçou um ligeiro sorriso...

domingo, dezembro 14, 2003

Que rapaz do demo, mesmo de aspecto esqueléctico Justino era um bébé que tinha uma grande genica!!!
Dia após dia Maria Albertina aguentou uma choradeira infernal. Parecia que ser tăo pequeno, tinha a noçăo de quando incomodava mais. Pois toda a noite chorava imitando qual lobo a uivar.
Zé Bigodes que de si já era meio mouco, ouvia nitidamente cada oitava que subia no choro de sua cria.
Todo o carinho era dado áquela criança... Duas vezes por dia comia as sopinhas de cavalo cansado, que eram confeccionadas com o melhor tinto daquela Aldeia perdida entre montes e vales.
Diziam que ia ser rijo, pois caiu da cama uma vintena de vezes nos seis primeiros meses de vida, e nem uma negra!
Maria Albertina que era dada para as letras, compôs uma musiqueta cuja qual cantarolava entre dentes aquando da lida da casa... E passo a citar um pequeno trecho:
..." Mê arrebento tam belo e rijo
M
ê amor por ti é grande
Ando flita, desde onte que nam mijo
Espero que cedo voç
ê ande

A t
ê lado estarei sempre
Memo debaixo de grande geada
Cuido de ti desde sempre
Memo depôs de munta mocada
"...

Era uma melodia, que quase sempre terminava com uma forte bolsada de Justino.
Rapazote reguila, desde cedo manejava a arte de sacar o burrié magistralmente... Mas havia algo de misterioso neste ser. Era um brilho naqueles olhos azambuados, que nunca deixava ninguém indeferente.
Quando Zé Bigodes levava Justino para perto das suas cabras, elas ficavam num estado de transe tal, que Zé Bigodes fazia delas o que queria... havia vezes, que depois de Maria Abertina chegar da apanha da batata, e levar Justino para casa, Zé deliciava-se com as suas amigas de campo.
Justino era mestre na arte de hipnotizar os mais improváveis seres...

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